sábado, setembro 10, 2005



O pintor Pablo Picasso tinha sido convidado pelo governo republicano a realizar um quadro para o pavilhão espanhol, na Exposição Mundial de Paris de 1937. No dia 26 de Abril desse ano, em plena Guerra Civil Espanhola, os bombardeiros nazis alemães, em apoio do General Franco, arrasaram a pequena cidade basca de Guernica, causando 2 mil mortos e feridos entre a população civil indefesa. Picasso usou aquele massacre como tema para a citada encomenda, pintando "Guernica" como um libelo de acusação contra a guerra e a opressão.




Esta obra-prima representa o drama daquela cidade basca e constitui, ao mesmo tempo, um hino de liberdade e um grito de revolta contra a prepotência e a tirania. Na parte direita do quadro uma mulher levanta os braços para o céu, num gesto de desespero, enquanto, na esquerda, uma mãe sustém no colo o cadáver do filho. Na parte inferior, um soldado decapitado segura na mão uma espada partida. Há ainda outras figuras entre as quais se destacam um cavalo e um touro. São representações de difícil interpretação, mas é bem possível que a mãe com o filho morto nos braços seja inspirada na Pietá; que a mão do cadáver com a espada partida seja o emblema da resistência heróica ou que haja uma relação entre a mulher empunhando a lâmpada e a Estátua da Liberdade. Também se poderá sentir o contraste entre o touro ameaçador, simbolizando a violência fascista, e o cavalo agonizante, imagem das vítimas inocentes. As distorções, fragmentações e metamorfoses anatómicas exprimem a realidade do sofrimento e da dor, de uma dor insuportável. Depois que esteve exposta em Paris, a pintura ficou muitos anos "exilada" numa galeria de Nova Iorque, de acordo com o desejo de Picasso de que não voltasse a Espanha antes que a democracia fosse ali restabelecida. Regressaria triunfante e definitivamente a Madrid em 10 de Setembro de 1981.


Alfredo Saldanha